terça-feira, 20 de setembro de 2011


“Apesar de ser a parte mais errada da vida, tinha um sorriso tão escandaloso que a fazia corar. Era linda por dentro. Tinha medo de espelhos, olhava para o lado antes de atravessar a rua. Contava os passos da cozinha a cama antes de dormir. Sentia saudade do primeiro abraço que ganhara de dois ou mais amigos que já não tinha mais contato algum. Alguns ursos de pelúcias confortavam a cama sempre que apoiava a cabeça no travesseiro e procurava algo para abraçar. Era tão menina, tão cuidada, tão mulher escondida. Mas era tão machucada… Tinha tanta dor dentro do peito. Tentava evitar os pensamentos que lhe trouxessem saudade durante o dia, mas a noite era tão escura e longa e os passos na memória que caminhavam junto com os ventos que também a fazia sorrir. Era tudo misturado, formando ondas de confusão. Mas ainda sim era, porque tinha medo de ser tão pouco e não conseguir se enxergar mais. Era aquela menina perdida que não pretendia se encontrar tão cedo.”
“Criei espetáculos, lágrimas, diálogos, desastres, fantasias. Criei um fim perfeito, liberdade, coragem, palavras. Sumiram todas, desaparecem em meio a todas as minhas noites impetuosas que me tiravam o sono. Sumiram todos os sonhos em meio as lágrimas e por mais que eu me agarrasse a única ponta de esperança que restara, encontrei-me afogando na minha própria tênue de desespero.”

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

“Passo metade do tempo tentando entender e a outra tentando explicar. Não aos outros, a mim mesma. Metade confusa, metade ocasiões e talvez tudo o que reste seja a falta de temperamento útil. Procuro-me dentro de todos os lugares onde pensei que me encontraria. O oco do vazio, da falta, da solidão faz tudo ser tão real, tão mísero, tão pequeno. — Pensei que encontraria-me dentro de ti; — procura em vão. Não achei nada, nem pedaços, nem inteiros, nem saudade, nem sorriso, nem lágrimas. Aliás, encontrei rancor. E entre todo o rancor encontrei um pedacinho quase invisível de mim. Um pedacinho que me faltava quando lembrava-me do que eu era antes de tanta frieza e angústia. — E, às vezes, tarde demais lembro também que sou pouco para mim. Pouco para tanto desespero; lembro que me dói mais do que eu gostaria, mais do que —, ao meu ponto de vista — seria necessário. Dói como fogo, brasa ardente, faca, lâminas de transcendentes que continham seu nome. Dói mais que tudo e eu não conseguiria explicar a ti de tal forma que pudesse compreender essa dor, — ninguém compreende. Ninguém se ocupa da minha ausência. É como se fosse tanto faz em todas as circunstâncias e ainda ajoelho-me diante meus próprios passos tentando seguir em esperança, mesmo não tendo nenhuma. Nenhuma suposta coragem. Só falta de sorriso e excesso de desanimo que me prende a mim mesma quando o mundo deixa de girar no meu subconsciente que ainda tem em planos fatos e consequências de algo que nunca vai existir; algo que nunca vai ser de novo como era. Como é, — e se eu pedisse de volta, sei que não teria. Eu não teria-me também. Eu teria um vago espaço profundo de ausência própria, de passos doídos, de falsas palavras, metáforas sinuosas que me causam grande auto-controle sutil de atitudes que eu mesma evitara. — Tornei-me tal confusão, tal caos, tal problema, tal solidão que prendo-me em falta de verdade confusa aos outros, a ti, a nós. Ao mundo, a mim. Não sei o que eu sou, o que quero ser. Sei que dói, sei que já repeti milhões de vezes que nem o tempo cura —, quanto mais dele passa, mais aberto, mais ferido, mais magoado fica tudo. — Criando eu esperanças de que seja tudo diferente quando acordar e tudo igual sempre é a repetida frequência que me faz perder o sono. — Medo de dormir, com desesperança de acordar. — Queria eu não acordar, queria eu dormir para sempre. Até, pelo menos, resolver-me em planos comigo mesma, com minhas frustrações e medos. Nada vai se acertar, vai ser sempre tudo como está. Vago, transparente e devagar, mesmo eu achando rápido. É o devagar do tempo. — Não sei mais o que sou, o que falo, o que escrevo. — Não me encontro nem em mim, nem na verdade, nem na presença. A minha ausência, na realidade, é necessária.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Obrigado, anjo meu.

Ei, pequena. Me perdoa? Me perdoa por só ter chego na sua vida agora? Me perdoa por ter demorado? Mas olha, agora que eu estou aqui, eu queria te pedir umas coisinhas. Posso cuidar de você? Posso ser o teu anjo? Posso te ajudar a cicatrizar teu frágil coração muitas vezes já despedaçado? Posso cuidar das feridas na tua alma? Posso te fazer bem? Posso te fazer sorrir? Você sabe, que mesmo que se você disser que não eu vou. Eu vou porque você é especial. Porque eu sinto essa necessidade que vem não sei de onde, de cuidar de você. E sabe o que mais? Eu não vou te deixar. Porque uma pessoa tão imperfeitamente perfeita pra mim como você não se deixa escapar. Você vai ter que me aguentar, até quando seu coração parar de bater, ou até depois disso. Se você não sabe, é bom que agora saiba, que você é entre muitas pessoas, aquela de quem eu quero cuidar. E você, bem, se um dia quiser ir embora me avisa, por que eu vou junto. Pra onde quer que você for. Porque você também não vai me deixar. Eu jamais permitiria isso.  (Davi) for (Beatriz).

“Porque tu não sabes, tu não sentes. Porque pouco faz sentido, pouco tens importância. Porque perguntas por interesse, não por preocupação. Porque não te incomodas. Porque minhas lágrimas não deixam de cair, porque não faz sentindo ainda permanecer em pé. E se eu dissesses que quero-te perto, seria egoísmo. Então ficas longe, sejas de quem queres ser. Ando cansada de tal dor, de tal dúvida. Talvez sejas hora de abrir os olhos e mesmo sem vida, tentar ignorar. Tu não entendes, nunca entenderias. Então perdoe-me o silêncio. Só prefiro poupar-te de tais preocupações.

                                                                                       B.M.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Eu disse que passaria, com a esperança de que não doesse. Enganava-me. Doía como nunca. Como se eu não pudesse suportar. O peito inflava com a dor de segurar cada lágrima. Engolia palavras que talvez não fizessem sentido algum. E esperava. Perguntava-me até onde doeria. Não obtinha respostas. O cheiro, o vento, a mágoa. Tudo acumulava-se. Eu não entendia. Nem mesmo que explicasse ou desenhasse. Eu nunca entenderia porque tinha que doer tanto. Eu só sabia que não importa quantas palavras, conforto não havia e temia. Temia porque nada seria suficiente. E sentia tudo. Intensa e drasticamente. Porque engoliria o medo e angústia. Enrolava-se. Gastava-se. Errava-se. Como se houvesse solução, mas não havia. Nem que revirasse o mundo e indagasse mínimas perguntas. Nada seria dito. Silenciava-se. Não importa o quanto doía, ninguém entenderia. Ninguém suportaria. Não importa o quanto falasse, não irradiava-se. Obtinha desesperança, medo e cicatrizes. Inferiores, mas interiores também. Porque sabia que eram marcas e nunca sumiria. Nem de dentro, nem de fora. Continuaria, de forma dramática e entristecida. Como o úmido do rosto enfestado de lágrimas. Sumiria tempo depois e levaria toda a dor. Esperando que passasse. Passaria, mesmo que omitisse, mesmo que não acreditasse. Mas enquanto não passava, doía.
                                                                                                         B.M.